Como encontrar produtos com NCM, CFOP ou CST inconsistentes sem abrir XML por XML

setembro 2, 2026

Encontrar inconsistências fiscais não deveria exigir que um analista abrisse centenas de arquivos XML, pesquisasse cada produto e comparasse manualmente os códigos utilizados nas notas.

NCM, CFOP e CST são informações estruturadas dentro da NF-e. Isso permite extrair os dados de todos os itens, organizá-los em uma tabela e aplicar regras de validação em lote.

Com esse processo, a empresa consegue identificar produtos com mais de um NCM, CFOP incompatível com a operação, tributação divergente entre filiais, códigos fora da tabela vigente e combinações fiscais que aparecem apenas em uma pequena parcela das notas.

O ponto mais importante é compreender que uma NF-e autorizada não está necessariamente correta do ponto de vista tributário. O Portal Nacional da NF-e informa que a autorização verifica principalmente a integridade formal do arquivo e que a maior parte do conteúdo fiscal não passa por validação completa no momento da transmissão.

Por isso, a ausência de rejeição não deve ser interpretada como uma confirmação da classificação fiscal utilizada.

Por que NCM, CFOP e CST precisam ser analisados em conjunto?

NCM, CFOP e CST respondem a perguntas diferentes sobre a operação.

O NCM identifica a classificação fiscal da mercadoria.

O CFOP descreve a natureza da movimentação, como venda, compra, devolução, transferência, remessa, industrialização ou exportação.

O CST informa a origem da mercadoria e o tratamento tributário aplicado ao ICMS. No regime normal, o código é composto por três dígitos: o primeiro representa a origem e os dois seguintes indicam a tributação do ICMS.

Esses códigos não devem ser analisados isoladamente.

Um NCM pode existir na tabela oficial e ainda estar errado para aquele produto. Um CFOP pode ser válido, mas incompatível com o estado de destino ou com a finalidade da operação. Um CST pode estar previsto na legislação, mas não corresponder ao tratamento tributário aplicado naquele cenário.

A consistência aparece quando produto, operação, destinatário, regime tributário, origem, destino e tributação contam a mesma história.

CampoO que ele representaExemplo de inconsistência
NCMClassificação fiscal do produtoMesmo SKU emitido com dois NCMs diferentes
CFOPNatureza da operaçãoVenda interna registrada com CFOP interestadual
CSTOrigem e tributação do ICMSProduto tributado registrado como isento sem fundamento
CSOSNTratamento do ICMS no Simples NacionalCSOSN usado por empresa fora do Simples
cBenefBenefício fiscal aplicadoCST informado sem o código de benefício exigido pela UF
cClassTribClassificação do IBS e da CBSCódigo incompatível com o CST dos novos tributos

O leiaute da NF-e registra NCM e CFOP no detalhamento de cada produto, além dos grupos tributários incidentes sobre o item. O Portal Nacional também mantém tabelas e informes técnicos para NCM, CFOP, benefícios fiscais e novas classificações relacionadas ao IBS e à CBS.

Por que abrir XML por XML é uma estratégia ruim?

A conferência manual apresenta quatro limitações.

A primeira é o volume. Uma empresa que emite ou recebe milhares de notas por mês pode ter dezenas de milhares de itens para validar.

A segunda é a falta de comparação. Ao abrir um XML isolado, o analista consegue verificar aquele documento, mas não enxerga facilmente que o mesmo produto foi classificado de outra maneira em notas anteriores.

A terceira é a subjetividade. Dois profissionais podem analisar o mesmo arquivo e priorizar aspectos diferentes.

A quarta é o momento da descoberta. Quando a revisão ocorre apenas no fechamento fiscal, o erro já foi reproduzido no ERP, no estoque, na escrituração e, possivelmente, no preço da operação.

A auditoria em lote muda a lógica.

Em vez de perguntar se uma nota está correta, a empresa passa a perguntar:

Quais produtos apresentam comportamento fiscal diferente do padrão?

Quais combinações de NCM, CFOP e CST são raras?

Quais filiais utilizam regras diferentes para o mesmo item?

Quais códigos deixaram de existir na tabela vigente?

Quais documentos divergem do cadastro do ERP ou do SPED?

Quais informações devem ser extraídas dos XMLs?

A análise deve ocorrer no nível do item, e não apenas no total da nota.

Cada linha da base de auditoria deve representar um produto de uma NF-e ou NFC-e.

Os principais campos são:

GrupoInformações recomendadas
DocumentoChave, número, série, data e modelo
EmitenteCNPJ, regime tributário, município e UF
DestinatárioCNPJ ou CPF, inscrição estadual, município e UF
ProdutoCódigo interno, descrição, GTIN, NCM e CEST
OperaçãoCFOP, natureza da operação, finalidade e indicador de presença
ICMSOrigem, CST ou CSOSN, base, alíquota e valor
BenefícioscBenef, desoneração e fundamento aplicável
Outros tributosCST de IPI, PIS, Cofins, IBS e CBS
ValoresQuantidade, unidade, valor unitário, desconto e total
TransporteLocal de entrega, transportador e UF de destino
ControleFilial, sistema emissor, usuário, lote e data de importação

A NCM vigente pode ser consultada no Sistema Classif da Receita Federal por código, descrição ou navegação na árvore. A Receita também disponibiliza a tabela oficial em formatos estruturados, como JSON e XLSX, o que permite automatizar a comparação entre os códigos dos XMLs e a nomenclatura vigente.

O Portal Nacional da NF-e publicou atualização da tabela de NCM com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2026. Uma auditoria correta precisa considerar a vigência do código na data de emissão do documento, e não apenas a tabela disponível no momento da análise.

Como organizar os dados sem abrir os arquivos individualmente?

O processo pode ser dividido em seis etapas.

1. Centralizar os XMLs

O primeiro requisito é reunir os documentos de todas as fontes.

Isso inclui:

  • NF-e de entrada capturadas pela Distribuição DF-e.
  • NF-e de saída provenientes do ERP ou emissor.
  • NFC-e emitidas pelos pontos de venda.
  • XMLs de filiais e estabelecimentos diferentes.
  • Eventos de cancelamento e correção.
  • Documentos antigos importados de sistemas anteriores.

Se parte dos XMLs estiver em e-mails, computadores locais ou sistemas antigos, a análise não representará a operação completa.

2. Transformar os XMLs em dados tabulares

Os arquivos precisam ser lidos por um sistema que extraia as tags e gere uma base estruturada.

O resultado pode ser visualizado como uma planilha, um banco de dados ou um painel.

Um exemplo de estrutura seria:

SKUDescriçãoNCMCFOPCSTUF origemUF destinoQuantidade de notas
10452Cabo de rede85444200510200DFDF846
10452Cabo de rede85176259510200DFDF17
10452Cabo de rede85444200610200DFGO193

Nesse exemplo, o segundo NCM não deve ser automaticamente considerado incorreto. Ele deve ser marcado como uma anomalia porque aparece em uma pequena parcela das operações do mesmo produto.

3. Criar um cadastro fiscal de referência

A empresa precisa ter uma base considerada correta para comparação.

Esse cadastro pode conter:

  • Código do produto.
  • Descrição padronizada.
  • NCM esperado.
  • CEST, quando aplicável.
  • Origem da mercadoria.
  • Tributação normal.
  • Regras de entrada e saída.
  • CFOPs permitidos.
  • CST ou CSOSN esperados.
  • Benefícios fiscais relacionados.
  • Período de vigência da classificação.

Sem uma referência, o sistema consegue encontrar diferenças, mas não consegue indicar qual classificação deveria prevalecer.

4. Aplicar regras automáticas

As regras devem localizar códigos inválidos, combinações incompatíveis e comportamentos fora do padrão.

5. Classificar o risco

Nem toda divergência possui a mesma relevância.

Uma diferença de descrição pode ter baixo risco. Um NCM inexistente, uma combinação entre CFOP interestadual e destinatário da mesma UF ou um CST incompatível com o regime tributário exige prioridade maior.

6. Revisar apenas as exceções

Depois da análise automática, a equipe abre somente os documentos relacionados aos alertas mais relevantes.

Em vez de revisar dez mil XMLs, o analista pode concentrar a investigação em cinquenta combinações suspeitas.

Quais regras encontram NCM inconsistente?

NCM inexistente na tabela vigente

O sistema compara o código do XML com a tabela oficial válida na data de emissão.

Se o NCM não existir, o item deve ser sinalizado.

Essa regra é objetiva, mas não resolve todos os problemas. Um código pode existir e ainda não representar corretamente a mercadoria.

Mesmo produto com diferentes NCMs

A auditoria agrupa os itens por código interno, GTIN ou descrição normalizada.

Quando o mesmo produto aparece com mais de um NCM, o sistema deve apresentar:

  • NCM utilizado.
  • Quantidade de ocorrências.
  • Filial responsável.
  • Período.
  • Fornecedor ou cliente.
  • Valor total envolvido.

Uma alteração de NCM pode ser legítima quando houve mudança da tabela oficial, correção cadastral ou diferenciação de versões do produto. Por isso, a divergência deve ser investigada, não corrigida automaticamente.

Produtos diferentes utilizando o mesmo NCM genérico

Empresas frequentemente concentram mercadorias distintas em um código amplo por facilidade operacional.

O problema pode ser detectado comparando descrições, famílias de produtos, unidades, preços e características técnicas.

NCM incompatível com a descrição

Uma análise por palavras-chave pode localizar situações improváveis.

Exemplo: descrição com “camiseta de algodão” associada a um capítulo de equipamentos elétricos.

Esse tipo de regra não substitui uma classificação técnica. Ele serve para reduzir o universo que precisa ser revisado.

NCM alterado sem controle de vigência

Se um produto utilizava determinado código até janeiro e outro a partir de fevereiro, o sistema deve verificar se houve atualização oficial da nomenclatura ou alteração real no cadastro.

O histórico não deve ser apagado. A empresa precisa preservar qual classificação estava vigente em cada período.

Como encontrar CFOP inconsistente?

A tabela oficial de CFOP possui códigos e notas explicativas que diferenciam compras, vendas, devoluções, transferências, industrialização, remessas e outras operações. O enquadramento depende da natureza da movimentação, da origem, do destino e da finalidade econômica.

CFOP interno em operação interestadual

O sistema compara a UF do emitente com a UF do destinatário ou do local de entrega.

Quando as unidades federadas forem diferentes, um CFOP de operação interna pode representar erro.

A análise precisa considerar exceções, triangulações, entrega por conta e ordem, retirada em local diferente e outras operações específicas.

CFOP interestadual com origem e destino na mesma UF

Essa combinação deve gerar alerta, principalmente quando se repete apenas em uma filial ou sistema emissor.

CFOP de entrada em documento de saída

O tipo de operação da NF-e precisa ser compatível com o grupo do CFOP utilizado.

Erros desse tipo podem decorrer de cópia de regra, parametrização invertida ou cadastro reaproveitado.

CFOP de venda usado em devolução

Devoluções precisam manter relação com a operação original e utilizar o código correspondente ao retorno da mercadoria.

Quando o sistema utiliza o mesmo CFOP da venda original, estoque, tributos e escrituração podem ser afetados.

Mesmo cenário com CFOPs diferentes

A empresa pode agrupar operações por:

  • Produto.
  • Tipo de cliente.
  • UF de destino.
  • Finalidade.
  • Regime tributário.
  • Natureza da operação.

Se situações equivalentes utilizarem CFOPs diferentes, o sistema deve apresentar a divergência para validação.

CFOP incompatível com a descrição da natureza da operação

Uma NF-e pode apresentar “venda de mercadoria” na natureza da operação e utilizar um CFOP de remessa, transferência ou devolução.

A natureza da operação é uma descrição livre e não substitui o CFOP. Ainda assim, a comparação entre os dois campos ajuda a localizar erros de parametrização.

Como localizar CST ou CSOSN inconsistente?

O CST do ICMS é utilizado por contribuintes do regime normal. O CSOSN é utilizado nas situações previstas para empresas enquadradas no Simples Nacional.

O Portal Nacional informa que o CSOSN substitui a Tabela B do CST quando o Código de Regime Tributário for igual a 1. As regras técnicas também preveem rejeição quando uma empresa do Simples informa CST ou quando um contribuinte fora desse regime informa CSOSN.

Regime tributário incompatível com o código

Essa é uma das primeiras regras que devem ser aplicadas.

Regime informadoCódigo esperado
Simples Nacional, conforme o CRT aplicávelCSOSN
Regime normalCST

Embora algumas incompatibilidades possam causar rejeição, a empresa não deve depender exclusivamente da validação da SEFAZ.

Mesmo produto com CSTs diferentes na mesma operação

Um produto pode ter tratamentos distintos conforme destino, cliente, benefício ou finalidade.

Entretanto, quando o mesmo item, na mesma UF e no mesmo tipo de operação, aparece com CSTs diferentes, existe um indício de cadastro inconsistente.

CST incompatível com a base e o imposto

O sistema pode identificar combinações como:

  • CST de tributação integral sem base ou alíquota.
  • CST de isenção com destaque indevido de imposto.
  • CST de substituição tributária sem os campos esperados.
  • CST de redução sem redução efetiva da base.
  • CST de diferimento sem percentual ou valor coerente.

Essas regras precisam ser adaptadas à legislação estadual e às exceções de cada operação.

CST incompatível com benefício fiscal

Algumas unidades federadas exigem relação entre CST e código de benefício fiscal.

O Portal Nacional mantém referências estaduais para tabelas de cBenef x CST. Para o Distrito Federal, há tabela específica relacionada à Nota Técnica 2019.001, atualizada em outubro de 2025.

Uma auditoria de empresas do DF deve cruzar:

CST informado → cBenef informado → benefício cadastrado → vigência → produto → operação.

CST diferente entre filiais

Filiais podem ter particularidades, mas divergências recorrentes para o mesmo produto precisam ser justificadas.

O painel deve permitir comparar:

  • Matriz.
  • Filial.
  • Sistema emissor.
  • Regra fiscal.
  • Estado.
  • Período.

Quais combinações devem gerar alertas prioritários?

Regra de auditoriaPossível causaPrioridade
NCM não existe na tabela vigenteCadastro desatualizado ou digitaçãoCrítica
Mesmo SKU possui mais de um NCMDivergência entre sistemas ou filiaisAlta
CFOP interno com destinatário de outra UFRegra geográfica incorretaAlta
CFOP de entrada em nota de saídaParametrização invertidaCrítica
CST usado por empresa do SimplesRegime incompatívelCrítica
CSOSN usado fora do SimplesRegime incompatívelCrítica
CST tributado sem base de ICMSCálculo incompletoAlta
CST isento com imposto destacadoTributação contraditóriaAlta
CST sem cBenef exigido pela UFBenefício incompletoAlta
Mesmo cenário possui CSTs diferentesCadastro ou regra divergenteMédia
Produto alterou NCM sem data de vigênciaFalta de histórico cadastralMédia
CFOP raro aparece em apenas uma filialRegra local ou erro isoladoMédia

O nível de prioridade deve considerar também o valor financeiro, a quantidade de documentos, a recorrência e a possibilidade de crédito ou débito incorreto.

Como usar análise de frequência para encontrar erros?

Uma das técnicas mais eficientes é identificar exceções estatísticas.

Considere um produto emitido mil vezes:

  • 970 itens com NCM A.
  • 25 itens com NCM B.
  • 5 itens sem NCM completo.

O sistema não precisa concluir que o NCM A está correto. Ele deve mostrar que existem três padrões diferentes para o mesmo produto.

A mesma lógica vale para CFOP e CST.

Uma combinação utilizada em 98% das operações representa o padrão dominante. As demais precisam ser explicadas por diferença de cliente, estado, finalidade, regime ou benefício.

Quando não existe uma justificativa objetiva, a divergência provavelmente vem do cadastro, de uma regra manual ou de um sistema específico.

Como comparar XML, ERP e SPED?

A análise fica mais confiável quando utiliza três fontes.

FonteO que representa
XMLDocumento efetivamente autorizado
ERPRegra e cadastro utilizados pela operação
SPEDInformação efetivamente escriturada

O Portal do SPED mantém o Guia Prático da EFD ICMS/IPI e as tabelas utilizadas na escrituração. Para 2026, foram publicadas versões específicas do guia e do leiaute da obrigação.

O cruzamento deve responder:

O NCM do XML é igual ao NCM do cadastro?

O CFOP autorizado é igual ao CFOP escriturado?

O CST do XML corresponde ao registro analítico do SPED?

O valor do ICMS no documento coincide com a apuração?

Existem itens no SPED sem o XML correspondente?

Existem XMLs autorizados que não chegaram à escrituração?

Uma diferença entre XML e ERP indica que o cadastro pode ter sido alterado depois da emissão ou que a integração modificou os dados.

Uma diferença entre XML e SPED indica risco direto na obrigação acessória.

Um exemplo prático de auditoria em lote

Considere uma distribuidora com três filiais e 40 mil itens de NF-e analisados no mês.

O sistema encontra:

  • 32 produtos com mais de um NCM.
  • 18 notas internas com CFOP interestadual.
  • 9 produtos com CST diferente entre matriz e filial.
  • 6 códigos de NCM fora da tabela vigente.
  • 47 itens com CST tributado, mas sem base de ICMS.
  • 23 operações com benefício fiscal e sem cBenef.
  • 12 XMLs autorizados ausentes no SPED.

A equipe não precisa abrir os 40 mil itens.

Ela pode começar pelos seis NCMs inexistentes, depois revisar os documentos com incompatibilidade de regime e, em seguida, analisar os casos com maior valor financeiro.

A ordem de investigação pode seguir esta fórmula:

Risco = valor envolvido × recorrência × gravidade fiscal × dificuldade de correção

Esse método direciona o tempo da equipe para os problemas com maior impacto potencial.

A autorização da NF-e garante que o NCM está correto?

Não.

A administração tributária aplica regras de schema, cadastro e determinadas validações de negócio. Existem rejeições específicas para campos ausentes ou algumas combinações incompatíveis, mas o Portal Nacional esclarece que a maior parte do conteúdo fiscal da nota não é validada em profundidade durante a autorização.

A SEFAZ pode validar se o NCM possui o formato esperado ou se determinada combinação viola uma regra técnica conhecida.

Ela não consegue, em todas as operações, confirmar se aquele código representa exatamente a composição, a função, o material e as características técnicas da mercadoria.

A responsabilidade pela classificação continua sendo do contribuinte.

Como a Reforma Tributária aumenta essa complexidade?

Em 2026, o Portal Nacional passou a publicar novas tabelas relacionadas ao CST do IBS e da CBS, à classificação tributária cClassTrib, aos créditos presumidos e às alíquotas da CBS. Essas informações passam a conviver com os campos tradicionais de ICMS, IPI, PIS e Cofins durante a transição.

Isso significa que a empresa não precisará validar apenas NCM, CFOP e CST do ICMS.

Também terá de conferir:

  • CST do IBS e da CBS.
  • cClassTrib.
  • Crédito presumido.
  • Alíquotas aplicáveis.
  • Classificação da operação.
  • Relação entre os novos tributos e os códigos já utilizados.

Um cadastro incorreto poderá reproduzir o erro em mais campos e em mais obrigações.

A revisão em lote deixa de ser apenas uma ferramenta de auditoria histórica. Ela passa a ser parte do processo de preparação para a nova estrutura tributária.

Como empresas de Brasília e do Distrito Federal devem conduzir a análise?

Empresas do Distrito Federal precisam considerar as regras nacionais e as particularidades locais do ICMS.

A análise deve incluir:

  • Tabela de cBenef x CST do DF.
  • Benefícios fiscais aplicáveis.
  • Operações internas e interestaduais.
  • Compras de fornecedores de outros estados.
  • Vendas para Goiás e outras unidades federadas.
  • Substituição tributária.
  • DIFAL.
  • Transferências entre estabelecimentos.
  • Regras para atacadistas e distribuidores.
  • Tratamentos específicos relacionados a incentivos fiscais.

Uma distribuidora de Brasília pode utilizar o mesmo NCM em operações internas, interestaduais, vendas a consumidor final, transferências e devoluções.

O NCM pode permanecer igual, mas CFOP, CST, alíquota e benefício podem mudar conforme o cenário.

Por isso, a regra não deve estar apenas no produto. Ela precisa considerar o contexto completo da operação.

Como a EloFiscal ajuda a identificar inconsistências?

A EloFiscal centraliza documentos fiscais eletrônicos e transforma os dados dos XMLs em informações consultáveis.

Em vez de depender da abertura manual de cada arquivo, a empresa pode analisar produtos, fornecedores, clientes, NCMs, tributos, entradas e saídas em uma base consolidada.

Para escritórios contábeis, a plataforma também apoia a comparação entre XML e SPED e a identificação de documentos ausentes ou divergentes.

Uma rotina de auditoria pode utilizar a EloFiscal para:

  • Reunir XMLs de diferentes CNPJs.
  • Agrupar produtos por código, descrição e NCM.
  • Comparar entradas e saídas.
  • Identificar códigos utilizados com baixa frequência.
  • Localizar diferenças entre filiais.
  • Filtrar documentos por CFOP, CST, NCM ou período.
  • Comparar XMLs com a escrituração.
  • Criar uma lista priorizada de itens para revisão.

A plataforma não substitui a classificação fiscal realizada por profissionais qualificados. Ela reduz o trabalho operacional e direciona a análise para as exceções que realmente precisam de atenção.

Checklist para uma auditoria fiscal em lote

Antes de iniciar, verifique:

  1. Todos os XMLs de entrada estão centralizados?
  2. As notas de saída chegam diretamente do ERP ou emissor?
  3. Os documentos de todas as filiais estão na mesma base?
  4. O cadastro possui NCM de referência por produto?
  5. A tabela de NCM está atualizada por período de vigência?
  6. Existem regras permitidas de CFOP por operação?
  7. O regime tributário de cada estabelecimento está correto?
  8. O sistema diferencia CST e CSOSN?
  9. A tabela de cBenef da unidade federada está cadastrada?
  10. XML, ERP e SPED podem ser comparados?
  11. Os alertas consideram valor e recorrência?
  12. As exceções legítimas são documentadas?
  13. As correções são feitas no cadastro de origem?
  14. Existe monitoramento periódico depois da correção?
  15. Os novos campos de IBS e CBS estão incluídos na análise?

Se a empresa consegue localizar o erro, mas não corrige a regra que o gerou, a inconsistência continuará aparecendo nos documentos seguintes.

Perguntas frequentes

É possível encontrar NCM errado automaticamente?

É possível encontrar códigos inexistentes, desatualizados, divergentes ou estatisticamente improváveis. A confirmação da classificação correta pode exigir análise técnica da mercadoria, composição, função e legislação aplicável.

Um produto pode ter mais de um NCM?

Mercadorias diferentes podem compartilhar o mesmo código interno por erro de cadastro, e versões diferentes de um produto podem exigir classificações distintas. O mesmo SKU com mais de um NCM deve ser investigado, mas não corrigido automaticamente.

Todo CFOP diferente representa erro?

Não. O mesmo produto pode utilizar CFOPs diferentes em vendas, devoluções, transferências, remessas e operações interestaduais. A inconsistência ocorre quando o código não corresponde ao contexto da operação.

CST diferente para o mesmo produto é sempre incorreto?

Não. O tratamento pode mudar conforme destino, cliente, finalidade, benefício ou regime tributário. O alerta deve comparar operações equivalentes.

Uma NF-e autorizada pode conter NCM, CFOP ou CST errado?

Sim. A autorização não representa uma auditoria tributária completa sobre todos os campos do documento.

Posso corrigir todos os erros com Carta de Correção?

Não. Alterações que afetem variáveis determinantes do imposto ou elementos essenciais da operação possuem restrições. O procedimento deve ser analisado conforme o tipo de erro, a situação do documento e a legislação aplicável.

Uma planilha é suficiente para essa auditoria?

Uma planilha pode atender volumes menores, desde que os dados já estejam estruturados. Em operações com muitos CNPJs, itens e períodos, bancos de dados e plataformas especializadas oferecem mais controle, histórico e automação.

Com que frequência a auditoria deve ser feita?

O ideal é criar uma rotina contínua ou, no mínimo, mensal. Empresas com alto volume, muitos produtos ou benefícios fiscais devem monitorar as inconsistências antes do fechamento.

Não procure erros nota por nota. Procure padrões.

Abrir XML por XML é uma forma lenta de analisar um problema essencialmente estruturado.

NCM, CFOP e CST já estão organizados em campos que podem ser extraídos, agrupados e comparados.

A estratégia mais eficiente é centralizar os documentos, criar uma base por item, aplicar regras automáticas, medir frequência e revisar apenas as exceções.

Esse processo permite encontrar produtos com classificações divergentes, filiais que utilizam regras diferentes, códigos fora de vigência e combinações fiscais incompatíveis com a operação.

Mais importante do que localizar o erro é corrigir sua origem.

Quando a inconsistência nasce no cadastro, no ERP ou na regra fiscal, alterar apenas um XML ou uma escrituração não resolve o problema. A próxima nota repetirá o mesmo padrão.

A EloFiscal ajuda empresas e escritórios contábeis a centralizar documentos, comparar XMLs com o SPED e transformar dados fiscais em informações utilizáveis para controle e decisão.

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Bruno Oliveira

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